The Riser: O Bansky viseense
Crónicas

The Riser: O Bansky viseense

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As ruas da cidade exibem as suas marcas de degradação, os edifícios acusam o tempo, as suas fachadas imploram uma intervenção arquitetónica reabilitadora.

Ao circular pela cidade, uma marca vai-se destacando aos olhos dos mais atentos aos graffitis. À medida que caminho pelas ruas e ruelas de Viseu encontro a palavra Riser, pintada um pouco por todo o lado e descortino mais um exemplar pintado nas paredes periféricas da cidade. O seu writer contínua desconhecido para a maioria dos viseenses.

Numa tentativa de compreender o significado da palavra Riser, consultei o dicionário onde encontrei um conjunto de sentidos para a palavra grafitada nos lugares mais inusitados; o principal “O que se levanta…”. O que se levanta cedo? Um writer madrugador para fugir ao escrutínio das autoridades. No entanto este writer desconhecido arrisca as suas inscrições em sítios muito movimentados.

Como um leigo na matéria, as suas inscrições exibem algum grau de perfeição e complexidade que demorará seguramente algum tempo a ser executada. Sendo assim, a sua coragem irreverente torna a sua atividade arriscada, contudo a coberto da noite – madrugada – esta marca registada vai nascendo nas paredes da cidade como cogumelos coloridos.

O seu autor tem vindo a apurar a sua técnica. As suas marcas espalhadas pela cidade demonstram uma evolução no traço e nas cores utilizadas para desenhar a sua marca registada.

O título deste apontamento escrito surgiu-me após a leitura duma notícia sobre a exposição não autorizada do artista plástico Bansky, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto. Nesta exposição os visitantes poderão encontrar mais de 70 obras originais do artista britânico, cuja a identidade permanece desconhecida. Estas amostras feitas à revelia do artista plástico anónimo, contam com a sua oposição, classificadas por este como um fake show no seu site oficial. Bansky: Genius or Vandal? Banksy – A Great British Spraycation 2021 – YouTube
A questão controversa coloca-se com as devidas proporções em relação ao Riser.

 

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Será este Riser, um madrugador, um provocador, um génio, um vândalo ou tudo ao mesmo tempo? As suas “obras” aparecem sobretudo em edifícios abandonados nas periferias, nas estruturas amovíveis, nas fachadas públicas e privadas. Estes graffitis caracterizam-se pela ausência duma mensagem, salvo raras exceções em que o seu autor acrescenta às suas intervenções, frases irónicas. No fundo uma chamada de atenção para algum aspeto prioritário na transformação da sociedade.

Neste domínio e em escalas completamente diferentes, quer Bansky, quer Riser pretendem evidenciar-se aos olhos dos outros sem serem vistos, deixar as suas marcas visuais, bem como as suas mensagens subtis.
Meditemos sobre esta obra bem conhecida do artista britânico, em Rage the Flower Thrower, um homem arremessa um ramo de flores, na sua ótica uma poderosa arma na resolução de conflitos.

Termino com ironia, este Riser grafita à patrão em todas as paredes da minha cidade, mas não há meio de contratar uma cleaner para fazer uma limpeza à sua poluição visual.

Carlos Cruchinho

 

Bibliografia consultada:
Cinco obras de Banksy para ver na exposição dedicada ao artista, em Lisboa (gqportugal.pt)
Banksy: Genius or Vandal? | Alfândega do Porto | Arte in Porto (timeout.pt)

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