Rúben Amorim: nasce uma estrela
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Rúben Amorim: nasce uma estrela

Revista Amar - Rúben Amorim: nasce uma estrela
Créditos © Hugo Delgado

 

Rúben Filipe Marques Amorim

Cargo: treinador de futebol
Nascimento: 27/01/1985 (36 anos)
Nacionalidade: Portuguesa (Lisboa)

 

Não parecia ser um grande jogador, mas foi. Não parecia ser um grande técnico, mas é. A prova é que levou o Sporting ao título de campeão nacional depois de 19 anos de jejum. “Com Rúben nada é sorte”, dizem os amigos. Que preveem um futuro brilhante.

Rúben Amorim é sempre mais do que aparenta, dá sempre mais do que se espera dele. Não parecia ser um grande jogador, mas “foi um atleta de excelência e quem esteve com ele em campo bem o sabe”. Não parecia ser um grande treinador, “mas acabou por revelar-se um técnico excelente”, vencendo onde em 19 anos tantos falharam. Carlos Janela resume: “O Rúben é mais competente do que aquilo que mostra, exatamente o contrário do que faz a maioria. Talvez por não ser alto nem vistoso, é subvalorizado”.

O antigo diretor desportivo do Belenenses (e do Sporting, para além de cargos noutros clubes) e Rúben cruzaram-se em Belém em 2008. Recorda “uma mente crítica em relação ao jogo e ao treino”. Alguém que não esconde o que pensa nem evita o confronto, mesmo perante os que respeita e admira: “Quer no Belenenses quer no Benfica, sempre questionou Jorge Jesus. Sempre deu a sua opinião e ele tem opinião sobre tudo”.

A inteligência, “que lhe permite aprender depressa e bem”, alia-se “à esperteza”. “Há aqueles treinadores inteligentes, mas naïfs. Não é caso de Rúben. Sempre com aquele sorriso maroto, nunca se deixa enganar.”
Há um mês, com o Sporting cada vez mais perto do título de campeão nacional, Amorim olhava o futuro com o realismo a que o futebol obriga. “No final, posso ir para um clube maior da Europa” disse. “Ou voltar ao Casa Pia”, acrescentou.

2018. No Casa Pia deu nas vistas a António Salvador. Começou por treinar a equipa B do Sporting de Braga e 11 jogos depois assumiu a principal. “É uma pessoa frontal, direta, com convicção fortes e bem fundadas. Apostar nele como treinador foi uma questão de timing. Pelo que conhecia dele como jogador, sabia que ia corresponder às expectativas”, diz o presidente dos minhotos.

Olhando para o jogador que foi percebe-se, de facto, o treinador que é: não falhava um treino, não poupava um esforço. Não engolia injustiças. Ainda criança, abandonou o hóquei em patins em resposta a um comentário “despropositado” do treinador. Ganhou o futebol.

António Bastos Lopes lembra um miúdo de oito anos, nas escolinhas do Benfica: “Um rapaz muito atinado, fazia as coisas certinhas com muita qualidade técnica, com uma enorme capacidade de aprendizagem e muita azia nas derrotas”. Muito atento a horários saudáveis, apesar de gostar muito de dançar e achar que dança bem. É pacato, porém, divertido – as famosas imitações de Jorge Jesus provocavam gargalhada geral nos balneários.

Centrocampista, viveu os melhores anos no Benfica, com três títulos de campeão nacional. Foi internacional português por 14 vezes, com presença nos Mundiais de 2010 e de 2014.

Para Bastos Lopes, “com Rúben nada é sorte”. Se bem que não esperava uma ascensão tão imediata, considera o único senão do treinador a “demasiada impulsividade”. Amorim tenta controlar-se. “Mas, a certa altura, explode e faz ele bem “, destaca Carlos Janela, que vê na atitude por vezes intempestiva “o combustível para o entusiasmo com que contagia as equipas”.

Sobre o futuro, Janela é perentório: “Vai ser o melhor treinador português, dominará as próximas gerações. Basta que mantenha a sólida humildade e continue a aprender todos os dias”.

Anabela Francisco, a mãe, assustou-se quando o filho aceitou o lugar no Sporting. Agora tem a certeza: o filho não voltará, pelo menos tão cedo, ao Casa Pia.

Alexandra Tavares-Teles

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