Mais tempo em casa, mais tempo na cozinha. Cuidado com a alimentação
Saúde & Bem-Estar

Mais tempo em casa, mais tempo na cozinha. Cuidado com a alimentação

Os hábitos à mesa mudam em tempos de confinamento. Seja como for, é possível ter uma alimentação saudável em qualquer circunstância. Envolver os mais novos na confeção de refeições é fundamental para que percebam a ligação entre comida, saúde e bem-estar.

Mais um confinamento, mais refeições em casa, mais tempo à volta do fogão, mais tempo de partilha em família. Vários cenários podem acontecer. Comportamentos mais sedentários, menos exercício físico, alteração do padrão nas compras e no consumo de produtos alimentares. “O consumo de alimentos densamente energéticos e pobres do ponto de vista nutricional, aliado a um maior sedentarismo, poderá ter implicações ao nível do ganho de peso e surgimento de doenças associadas no futuro”, avisa Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas. E os mais velhos têm de olhar pela alimentação dos mais novos.

 

revista amar - Mais tempo em casa, mais tempo na cozinha.
Créditos © lenetstan

 

“É imprescindível que os pais ou encarregados de educação organizem bem as suas rotinas alimentares. Fazer um planeamento das refeições e comprar apenas os alimentos necessários poderá ser uma estratégia a adotar em contexto familiar. Mais tempo em casa não deverá significar maior presença de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gordura e sal. O ambiente alimentar em nossas casas deve ser salutogénico”, refere. O tempo deve ser aproveitado para explorar e colocar em prática, juntamente com os mais novos, os princípios de uma alimentação saudável e segura para garantir mais saúde e bem-estar.

Como utilizar este tempo para repensar a dieta familiar e implementar novos hábitos? “A evidência científica revela-nos que envolver as crianças no processo de produção e confeção dos alimentos constitui um fator determinante para a aquisição de conhecimentos, para a sensibilização sobre a importância de uma alimentação saudável e para a mudança de comportamentos alimentares”, responde Alexandra Bento. Estar mais tempo em casa é uma oportunidade para uma maior aposta em atividades de promoção de melhores hábitos alimentares.
Alexandra Bento destaca algumas plataformas online onde podem ser encontrados conteúdos fidedignos e várias atividades que contaram com a colaboração de nutricionistas. O canal Youtube da Ordem dos Nutricionistas tem vários vídeos alusivos à temática da alimentação saudável e sustentável e da dieta mediterrânica. O site do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde (DGS) e o blogue Nutrimento têm materiais e conteúdos para preparar refeições equilibradas e também sensibilizam para a importância da adoção de hábitos alimentares mais saudáveis.

Este trabalho em torno da alimentação saudável dos mais novos é uma tarefa de todos. “Adicionalmente, as instituições de ensino e de educação podem desempenhar igualmente um papel importante neste contexto, mesmo em contexto de ensino não presencial, ao programarem e dinamizarem atividades síncronas e assíncronas para os seus alunos, que abordem a importância da prática de uma alimentação saudável.” “Se uma estratégia para a alimentação das crianças nas escolas sempre foi necessária, agora, em período pandémico, consideramos ser de necessidade imediata. Todos devemos assumir o papel de agentes promotores de uma alimentação saudável, especialmente neste contexto pandémico”, refere a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

A alimentação é um dos mais importantes determinantes da saúde e, nos primeiros anos de vida, assume uma relevância ainda maior, uma vez que influencia o crescimento e desenvolvimento. É precisamente neste período que os gostos e preferências alimentares se formam. E, como se sabe, os pais são os modelos que as crianças tendem a imitar. “Os hábitos alimentares adquiridos durante a infância podem determinar os comportamentos alimentares na idade adulta. Quando os pais têm hábitos alimentares saudáveis, os filhos também os tendem a desenvolver”, salienta Alexandra Bento.

A nutricionista lembra que o sistema de vigilância nutricional das crianças em idade escolar, dos seis aos oito anos, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em articulação com a DGS, mostra que a prevalência de excesso de peso e de obesidade infantil na última década tem vindo a diminuir em Portugal. “Entre 2008 e 2019, esta prevalência caiu de 37,9% para 29,6%, sendo que no caso da obesidade em crianças baixou de 15,3% para 12%.”

Os indicadores são animadores, mas a realidade pode contrariar este cenário. “Apesar desta tendência decrescente, ainda são percentagens elevadas, e nesta crise pandémica poderá inverter-se esta tendência, pelo que deveremos manter um olhar especialmente atento aos hábitos alimentares das crianças, em particular, nesta altura em que passam mais tempo em casa”, sublinha a bastonária da Ordem dos Nutricionistas.

Sara Dias Oliveira

NM

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