Magellan Community Foundation: O futuro dos nossos idosos está também na sua mão
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Magellan Community Foundation: O futuro dos nossos idosos está também na sua mão

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A Magellan Community Charities que vai ser erguido na 640 Lansdowne Ave. em Toronto tem um grupo de luso-canadianos – e não só -, empenhados para que este projeto seja uma realidade em 2025. Para sabermos mais sobre os diversos comités, a Revista Amar tem convidado diretores da Magellan Community Foundation e Charities para informar a comunidade portuguesa a cerca de cada comité: função, competência e responsabilidade. Assim sendo, para esta edição convidámos Vitor Fonseca, diretor do Comité de Operações, que gentilmente aceitou conversar connosco. Charles Sousa, Chair do Magellan Community Charities e membro do conselho administrativo do Magellan Community Foundation juntou-se à nossa conversa. para falar dos últimos acontecimentos e de alguns desenvolvimentos relativos ao projeto.

Revista Amar: Para quem ainda não o conhece, conte-nos um pouco de si…
Vitor Fonseca: Nasci e cresci em Lisboa, mas a minha família é de Mangualde, distrito de Viseu, Beira Alta. Cheguei ao Canadá em 1976, depois do serviço militar e vivi sempre na área da North York e vivo na mesma casa há quase 40 anos. No meu primeiro emprego no Canadá fui ajudante de empregado de mesa, mas praticamente tenho trabalhado no setor financeiro e imóvel desde que cheguei a este país. Também estudei uma série de coisas e tirei o mestrado em Gestão (Business and Administration) e Contabilidade (C.G.A.). Sou casado e tenho dois filhos. Reformei-me muito recentemente, contudo vou continuar a fazer consultoria para duas companhias e vou continuar com o meu trabalho voluntário com a Magellan Community Charities.

RA: Como surgiu o convite para se juntar a este projeto?
VF: O convite surgiu, em 2019, através de um telefonema do Charles Sousa. O Charles falo-me do projeto e o ponto da situação da altura e perguntou-me se estava interessado em ajudar. Eu vim cá a uma reunião e constatei que todos os presentes eram pessoas capazes e empenhadas em levar o projeto a um bom porto e decidi juntar-me a eles.

RA: Para além do grupo de trabalho, que mais o incentivou a juntar-se?
VF: Para começar o projeto por si só, não é? Acho que é um projeto muito útil para a comunidade portuguesa e é um exemplo, para outras comunidades: como juntar cuidados prolongados e habitação acessível num só edifício. Como em meados de 2000 fui COO da Retirement Life Communities, uma empresa privada que criava e administrava casas de cuidados pronlogados, pensei que a minha experiência podia ser uma mais valia para a Magellan Community Charities. E, talvez até um pouco egoistamente, pensei que a minha sogra pudesse usufruir do lar, mas infelizmente, acho que ela vai precisar de ir para outro antes de 2025.

RA: Projetos desta envergadura, requererem muito investimento de “tempo pessoal”, principalmente no início. Uma vez que ainda estava no ativo, trabalhava a tempo-inteiro, tinha noção do quanto tempo ia dar?
VF: Sim e não foi muito diferente do que pensava e estava à espera. O interessante é que, desde do meu envolvimento, fiquei a conhecer muitas pessoas da nossa comunidade que não conhecia.

RA: O Vitor é responsável por um dos comités da Magellan Community Charities. Fale-nos um pouco do Comité de Operações.
VF: A função principal do Comité de Operações é participar na decisão de quem vai gerir o projeto no dia a dia quando estiver operacional. Nós organizamos e estruturamos um processo de seleção para que quando recebêssemos as candidaturas, pudéssemos escolher a empresa que seria melhor e a mais adequada na gestão dos Cuidados Prolongados. Dito isto, escolhemos a Responsive Health Management. Para além dos Cuidados Prolongados, também assinámos outros contratos com esta empresa e já estão a participar no planeamento e disposição do projeto. Quando estiver operacional, vamos ter que trabalhar com eles para que a gestão seja feita como nós esperamos que seja feita.

RA: Porque é que escolheram concretamente esta empresa?
VF: Para além do orçamento, foi por causa da boa reputação que eles têm nesta área, o estilo de projetos que gerem são muito parecidos com o nosso e as pessoas… todas as pessoas que conhecemos naquela empresa transmitiram-nos que estavam muito empenhadas e, fundamentalmente, dedicadas às casas que gerem para que as pessoas que estão lá tenham o tratamento correto e a melhor vivência possível e não tão focadas com quanto vão ganhar. Têm sido pessoas disponíveis para ouvir e para dar ideias.

RA: Mas é a primeira vez que a Responsive Health Management trabalha com a comunidade portuguesa…
VF: Sim, infelizmente a nossa comunidade nunca teve uma casa destas.

RA: E que tipo de informações estão a dar sobre a comunidade portuguesa para que depois (no dia a dia) o trabalho deles seja apropriado aos nossos seniores?
VF: Eles têm luso-canadianos na gestão e logo já têm algum conhecimento da nossa comunidade, contudo eles têm falado com a Irene Faria e a Elizabeth Mendes, para perceberem quais são o tipo de pessoas que devem atrair para trabalhar nos Cuidados Prolongados quando chegar a hora das contratações.

RA: Porém, para que este projeto seja uma realidade é preciso aquela quantia base. Como está a correr a “Capital Campaign”?
VF: É assim, já conseguimos um terço, mas isto com a pandemia não tem sido fácil e houve muitos atrasos. Contudo penso que agora, com o levantamento das restrições as coisas comecem a acontecer. (…) Obviamente, que o facto de nós não termos nada para mostrar também não ajuda e é mais difícil as pessoas fazerem donativos quando não veem para onde é que estão a doar. Reconheço que a tarefa de angariação de fundos, nestas circunstâncias não seja fácil. Penso que assim que metermos a pá na terra as coisas vão melhorar.

RA: Charles, que novidades têm acontecido recentemente?
Charles Sousa: Nós temos estado a trabalhar na escolha de mais uma operadora que irá gerir a organização. Nós não queremos que sejam pessoas que só gerem os Cuidados Prolongados como uma instituição, nós queremos que a tratem como se fosse a sua casa, o seu lar e que receba bem as pessoas e onde elas se sintam bem-vindas. Vai ser um edifício único… com apartamentos, os cuidados prolongados e ainda um espaço comercial e comunitário no rés do chão com jardim.

RA: Um edifício com muito espaço…
CS: Sem dúvida. Vamos poder criar áreas de lazer ou áreas onde podemos manter com segurança “tesouros” da nossa comunidade, porque as pessoas têm coisas em casa que foram guardando durante anos e que não sabem o que fazer com elas e como a Magellan Community Charities vai ser para todos nós, comunidade portuguesa, podemos ter essas coisas em exposição para as pessoas verem. Da mesma forma que vamos ter um parque para crianças e programas escolares e para a juventude. Graças ao financiamento e às licenças que tirámos, este projeto tem uma sustentabilidade e longevidade de muitos anos, que vai proporcionar que se façam muitas memórias de alegrias, algumas memórias de dificuldades, falar das histórias dos emigrantes que chegaram durante estes anos todos e dos que vão chegando, etc.

RA: Como falámos numa das edições anteriores, a Metrolinx está a arrendar o terreno, até junho, à Câmara de Toronto…
CS: … certo e nós vamos receber parte da renda. Para o projeto, além deste dinheiro ainda temos outras bolsas e outros apoios. Temos a angariação de fundos, que tem sido toda feita dentro da nossa comunidade e é importante que se entenda que é um projeto dos portugueses para os portugueses, não pertence a nenhum dos diretores! Nenhum de nós (conselho administrativo) é proprietário do projeto… isto é um projeto comunitário! E nós não saímos da nossa comunidade de propósito. Neste momento estamos à espera de mais uns donativos consideráveis, que nos vão dar a base e fundação do projeto e acredito que depois outros também farão doações.
VF: Penso que, a partir do momento que as pessoas começarem a ver as obras a iniciarem e acompanharem o crescimento do edifício, vão estar mais recetíveis a juntarem-se a nós e divulgar o projeto entre si, porque vão ver o quanto este projeto é importante para a comunidade portuguesa e o primeiro do género, que pode servir de exemplo para as outras comunidades.

RA: E, entretanto, já há uma data para a Metrolinx sair do terreno?
VF: Ainda não há, mas também ainda nos falta uma licença, que está atrasada por causa da pandemia. O ideal seria termos a licença e eles saírem, mas enquanto nós não a tivermos eles podem ficar porque estão a pagar renda, do qual vamos receber uma percentagem, aliás até podem ficar até à hora de começarmos a construção. (riso)

RA: E que licença ainda falta?
CS: É a licença municipal que permite o início de construção, inclusive tivemos uma reunião na Câmara recentemente e o projeto foi muito recebido e foi-nos dito que vão agilizar o processo para que a licença (Alvará) seja passada o mais rapidamente possível. Todas as outras licenças estão aprovadas.
RA: Então o início das obras será no outono como estava previsto?
CS: Para já, sim. Nós temos tudo planeado ao pormenor. Ou seja, a Câmara deve rever o projeto até maio e estimamos que a licença seja aprovada em junho antes da Eleição, depois deveremos ter a licença com as plantas entre julho e setembro e depois já podemos planear o início das obras. A correr tudo como planeado, abrimos em 2025.

RA: Quando se fala que a Magellan Community Charities tem sustentabilidade para muitos anos, a que se referem?
CS: A sustentabilidade refere-se ao contrato e as licenças que vêm do governo, que garantem a entrada de dinheiro para a manutenção por muitos anos… e estamos a falar de mais ou menos de 23 milhões de dólares por ano.
VF: E nós sabemos exatamente qual o valor que vai ser originado como receita. Depois é só controlar as despesas de maneira que se possa dar os serviços com o dinheiro disponível. Não há dúvidas de que a receita vai lá estar.

RA: No passado houve outros projetos para a comunidade que não germinaram. Acha que isso pode criar alguma desconfiança à volta da Magellan Community Charities?
CS: A diferença entre este projeto e outros que já aparecer e desapareceram da comunidade portuguesa, é que este tem uma garantia, o contrato que temos com o governo. Não sei bem o que se passou no passado, o que sei é que nunca tivemos uma casa ou um lar na comunidade portuguesa para dar aos nossos idosos. Também sei que cada ano que passa torna-se mais difícil e mais caro para construir. A única coisa que eu quero celebrar do nosso passado é a contribuição da nossa comunidade a este país e agora merecem ter o nosso apoio e é a nossa obrigação ajudarmo-nos mutuamente. Quando o meu pai chegou aqui, em 1953, disse “há espaço para todos… para aprender, para trabalhar e para nos ajudarmos uns aos outros.” Esta ajuda que estamos a dar aos outros é necessária para que nós todos possamos ter sucesso. Temos que ter orgulho de ser luso-canadianos.

RA: Sei que andavam à procura de um General Manager.
CS: É verdade e já contratámos. O anúncio e apresentação oficial será feito brevemente. Posso adiantar que é luso-descendente, fala português e é qualificada para o cargo… estamos muito entusiasmados em tê-la connosco.

Até ao fecho desta edição, o valor da angariação é de 5 milhões e 340 mil dólares.
No Milénio Stadium pode encontrar semanalmente o valor angariado atualizado.
Para dar o seu contributo, visite magellancommunitycharities.ca
ou contacte por email: [email protected] magellancommunitycharities.ca

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