Carta à comunidade portuguesa
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Carta à comunidade portuguesa

Revista Amar - Carta à comunidade portuguesa
Créditos: Carlos Monteiro

 

A minha experiência com a comunidade portuguesa foi uma aventura académica e pessoal. Além de estar dois anos e meio a completar a minha pesquisa de doutoramento na comunidade, fui também mãe pela primeira vez, durante esse tempo. Não foi fácil, mas as lições e histórias que ouvi e vi com os meus próprios olhos foram inesquecíveis. Durante o tempo da minha pesquisa, fiquei mais e mais envolvida na comunidade, acabando por aceitar integrar a direção da FPCBP desde 2017, onde ainda estou. Tenho orgulho em dizer que ninguém, dos membros da comunidade a quem pedi um tempo para uma entrevista, me disse não. Demorou-me quase um ano e meio para analisar jornais, fotos que eu tirei e outro tipo de peças ou matéria de investigação oferecidas pelos membros da comunidade, incluindo livros, medalhas e fotografias. Refiro este facto para sublinhar o apoio de todos os membros a quem pedi uma entrevista ou um tempo para conversar.

Das coisas mais memoráveis que guardarei para sempre deste período de trabalho académico saliento, sem dúvida, as pessoas que conheci nesta nossa rica comunidade portuguesa. Tive o privilégio de conhecer muitos voluntários, alguns que infelizmente já não estão connosco neste lado do mundo. Tal como o Sr. Tony De Sousa do PCCM, a primeira casa que eu visitei e entrevistei durante a minha pesquisa. Tive o privilégio de conhecer não só a casa, mas as pessoas que dedicam tanto tempo, amor, e carinho àquele estabelecimento. O Tony convidou-me para jantar lá e para conhecer a casa. Fui numa sexta-feira, no fim de verão de 2016, e tive o privilégio de conhecer o Sr. Tony, a sua família incluindo a linda esposa, filha, e neta, e também outros membros do clube e da direção. Fiquei realmente impressionada com a hospitalidade do PCCM. De tal modo que, quando sai de lá, senti uma felicidade enorme. Foi o princípio de uma grande aventura de visitas a mais casas, organizações e associações que convidaram, alimentaram, e abriram os braços a uma investigadora de doutoramento que não conheciam. Não me esqueço do orgulho nas caras de todos os membros nas várias casas, associações, e organizações a mostrarem e falarem das tradições, ideias do futuro, planos para fazer mais e melhor, e do seu amor à cultura portuguesa. Não tenho espaço para escrever tudo aqui, mas aprendi com todos os membros da comunidade e lembro-me de muitas coisas. E, acreditem, estas são lembranças que eu nunca vou esquecer!
A nossa comunidade portuguesa é diversa, trabalhadora e forte. Quero acabar com uma nota para os seus membros – nunca duvidem da sua contribuição notável, do valor do que fazem quando dão o seu tempo, o seu amor, e a sua paixão a um projeto. Os seus sacrifícios e tempo investidos são dobrados, quando outros como os vossos filhos e netos veem a vossa tenacidade, a vossa paixão e o orgulho que sentem no ato de se darem a esta causa. Eu só aprendi isto quando eu própria me envolvi fazendo trabalhos de voluntária. Sinto-me mais cheia (pelo menos de malassadas, risadas e memórias)! Obrigada por tudo!
Com muito amor,

Sara Isabel Vieira

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