Moçambique: milhares em fuga do terror
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Moçambique: milhares em fuga do terror

Revista amar - Cabo-Delgado-Province-Road
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Recorde alguns acontecimentos que ocorreram nos últimos quatro anos, em Cabo Delgado, Moçambique.

2017

A tensão instala-se no norte de Moçambique, depois de um grupo armado de cerca de 30 homens ter atacado três postos policiais na vila de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, provocando a morte de quatro agentes. Pelo menos 15 atacantes foram abatidos e alguns acabaram detidos, mas é o início de um conflito sem fim à vista. Em dezembro, a violência regressa às aldeias da mesma vila e a suspeita do envolvimento do grupo terrorista islâmico Al-Shabab ganha força.

2018

Foi o primeiro annus horribilis do norte de Moçambique. A 27 de maio, dez pessoas foram decapitadas em duas aldeias, num ataque atribuído ao Al-Shabab. Dias depois, entre 4 e 7 de junho, as aldeias de Namaluco e Naunde foram incendiadas: mais de 200 casas ficam destruídas, morreram sete pessoas decapitadas e outras ficaram feridas. Em outubro, um ano depois da escalada de violência, já se contavam 40 ataques, 90 mortos, 67 feridos e milhares de casas destruídas. O ano terminou com 115 mortos.

2019

Os ataques sucederam-se mês após mês. Todos com vários mortos, alguns decapitados e desmembrados. O ciclone Kenneth atingiu o norte de Moçambique no final de abril, mas as tréguas pós-tempestade duraram pouco. Em maio, várias aldeias foram saqueadas e incendiadas. Pelo menos dois dos ataques tinham como alvo funcionários de uma empresa americana, estabelecida em Cabo Delgado, que se dedica à exploração de gás natural. Nos meses que se seguiram, os ataques são reivindicados por grupos ligados ao Daesh.

2020

Em novembro, o Mundo acordou em choque para o conflito em Moçambique. Mais de 50 civis foram degolados e desmembrados por grupos armados num campo de futebol, em Muatide, província de Cabo Delgado. O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou a sua “consternação” e a disponibilidade de Portugal para apoiar o Governo de Filipe Nyusi, no plano nacional e internacional.

2021

O drama adensa-se. A 24 de março, dezenas de civis, incluindo sete que tentavam fugir do principal hotel de Palma, foram mortos durante ataques de rebeldes armados naquela vila, que fica a escassos seis quilómetros dos milionários projetos de gás natural. Um cidadão português ficou ferido nos ataques e foi resgatado com sucesso. Dias depois, o autoproclamado Estado Islâmico reivindicou o controlo da vila de Palma. Milhares de residentes puseram-se em fuga, a maioria rumo a Pemba, cerca de 360 quilómetros a sul de Palma. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) recorda que o ataque a Palma é apenas um episódio de uma onda de violência que assola o norte de Moçambique há mais de três anos e que já levou à deslocação de mais de 700 mil pessoas. Se os ataques não pararem, o ACNUR estima que o número de deslocados poderá ultrapassar um milhão nos próximos meses. No dia de Páscoa, numa alusão às vítimas do “terrorismo internacional”, o Papa Francisco chamou a atenção do Mundo para a população de Cabo Delgado.

Catarina Silva

NM

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