Áreas nobres de Lisboa: Freguesia de Santo António
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Áreas nobres de Lisboa: Freguesia de Santo António

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Créditos © Manuela Marujo

 

Comparativamente a outras cidades metropolitanas, Lisboa é de pequena dimensão e as suas freguesias, bairros e pátios têm características muito próprias onde as pessoas se conhecem e os vizinhos ainda trocam favores, conselhos e histórias de vida.

Sempre que estou em Lisboa, resido na freguesia de Santo António. Esta freguesia agrega, desde 2013, as freguesias de São Mamede, São José e Coração de Jesus abrangendo, por essa razão, áreas privilegiadas da capital. São Mamede, criada em 1247, constituía a mais antiga freguesia da cidade de Lisboa e era conhecida por albergar, entre outros lugares, o Jardim Botânico, o palacete do Antigo Colégio dos Nobres e o edifício da Imprensa Nacional na Rua da Escola Politécnica. Em novembro de 1567, foi criada a freguesia de São José que se destaca por a ela pertencerem, por exemplo, parte da Avenida da Liberdade e o Teatro Tivoli. A freguesia do Coração de Jesus surgiu após o terramoto de 1755 e abrangia também a Avenida da Liberdade e a Praça Marquês de Pombal.

O nome Santo António, escolhido em 2013 para congregar as três, foi selecionado em homenagem ao santo padroeiro de Lisboa. Em honra deste santo popular, realizam-se anualmente, no dia 12 de junho, na central Avenida da Liberdade, as animadas festas da cidade que atraem milhares de nacionais e estrangeiros.
Durante as minhas estadias na freguesia de Santo António, subo e desço avenidas, ruas, calçadas e travessas, passatempo que me cansa mas encanta, e onde continuamente descubro tesouros e aprendo factos novos sobre a história da cidade.

 

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Este mês, vou levar-vos num passeio a pé, por uma das zonas nobres da freguesia. Começo pelo Jardim do Tourel. No século XVIII era uma quinta privada, mas o terreno do palacete é, desde 1928, jardim público e miradouro. Com uma vista incomparável para São Pedro de Alcântara, o Rio Tejo e a Baixa da cidade, este recanto ajardinado tem, entre outras atrações, uma fonte adaptada para piscina e praia urbana pública, durante o verão. Se subirmos as ruas até ao cimo, a panorâmica vista fará esquecer depressa o esforço despendido. Em alternativa, pode tomar-se o antigo ascensor do Lavra (de 1884), no Largo da Anunciada, e chegar ao jardim sem precisar de fazer esforço.

Ao descer do Torel, na estreita e íngreme Rua da Fé, fazendo esquina com a rua de São José, encontra-se a entrada para a igreja de São José dos Marceneiros – antiga ermida ali erigida em 1525 -, reconstruída após o terramoto de 1755. Nas suas dependências setecentistas – um belo edifício barroco, com azulejos preciosos -, está a memória da “Casa dos Vinte e Quatro”, uma instituição histórica de 1383, onde os mestres de ofícios tinham direito a representatividade reconhecido por Dom João I.

A Rua de São José muda o nome para Portas de Santo Antão, e nela encontramos o limite da freguesia. Uma entrada majestosa, no número 100, conduz-nos ao interior da Sociedade de Geografia de Lisboa, ali instalada desde 1897. Aberto ao público, o edifício de cinco andares, aloja um museu etnográfico com um património de incalculável riqueza, com relevo para a época dos descobrimentos. Padrões trazidos das antigas colónias, globos terrestres e mapas, para além de artefactos raros, fazem-nos recuar séculos e vislumbrar a civilização de vários povos.

 

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Termino este passeio no Palacete Alverca, um edifício do século XVII e a sede da Casa do Alentejo de Lisboa desde 1923. Com estilo neoárabe na entrada principal, encanta pelas salinhas que remontam ao Majestic, o primeiro casino em Lisboa, no início do século XX. O grande salão de baile no segundo andar, com lustres, paredes forradas a espelhos e estuques dourados é romântico e lugar ideal para eventos. As salas do restaurante, onde comida tradicional alentejana é servida, são decoradas com azulejos do primitivo palácio e outros do Mestre Jorge Colaço.

Faltaria dar muitos outros passeios, igualmente enriquecedores, na extensa freguesia de Santo António, mas esses terei que os deixar para outra altura.

Manuela Marujo

Professora Emérita da Universidade de Toronto

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