Serra da Malcata: Uma reserva natural a descobrir
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Serra da Malcata: Uma reserva natural a descobrir

serra da malcata - Revista Amar
Créditos © Tó Botica (António José Andrade)

 

Quanto cai a noite, podemos terminar o dia com um pôr do sol inesquecível, acolchoar os ouvidos com o silêncio nas margens da Ribeira da Meimoa, aos poucos a sua fauna noturna abandona as suas tocas, as suas cavidades na rocha ou nas árvores. Acompanhando os sons da ribeira, surgem o coaxar dos batráquios, o piar dos mochos e corujas, o avistar furtivamente mergulhões de crista a acasalar. Assim terminei o primeiro artigo publicado no mês de fevereiro. Comprometi-me voltar com mais propostas de aventura por terras do Lince – Serra da Malcata.

Um território por descobrir em plena natureza, um habitat marcado pela biodiversidade, onde a flora e a fauna deslumbram nesta primavera e verão. Neste recanto raiano, as gentes e as zonas balneares convidam a desfrutar da calma e do sossego rural. O retemperar forças nas termas locais, percorrer os diversos percursos pedestres, visitar os castelos e torres medievais preservadas, saciar a fome e a sede com os produtos endógenos. Os territórios de baixa densidade aguardam a sua visita, as suas gentes disponíveis para receber os turistas, a hospitalidade servida num sorriso.

Os percursos pedestres pela natureza na reserva natural da Serra da Malcata surpreendem pela paleta de cores, os castanhos, os amarelos e os roxos. Nos vales encaixados, os rios e as ribeiras escoam as suas águas para o rio Bazágueda e o rio Côa nos concelhos de Penamacor e do Sabugal.

Quanto à flora, a reserva da Malcata possui uma mata na zona central de influência mediterrânica, aquela que apresenta uma variedade florística mais rica e variada, destacando-se no seu subcoberto espécies como a madressilva das boticas (Lonicera periclymenum), a rosa albardeira, rosa do monte ou rosa de alexandria (Paeonia broteroi), endemismo ibérico, o estevão (Cistus populifolius), diversas urzes (Erica spp.), o trovisco fêmea (Daphne gnidium) e o lentisco bastardo (Phillyrea angustifolia). E ainda em abundância, medronhais densos e fechados, estes encontram-se a ladear as inúmeras barrocas da área centro-sul da Malcata, bem assim como em algumas zonas da serra do Salvador.

 

serra da malcata - revista amar

 

A sul predominam matos de esteva (Cistus ladanifer), que acompanham a área de distribuição do azinhal, e matos de urze vermelha (Erica australis), queiró (Erica umbellata) e carqueja (Chamaespartium tridentatum) na restante área de maior altitude.

Com um vasto património faunístico, a reserva natural serve de habitat privado ao lince – ibérico (Lynx pardinus). A reserva constituísse como um habitat específico para a fixação de aves. Por montes e vales, o apaixonado pela atividade de birdwatching poderá observar várias espécies de aves salientam-se o abutre negro, a cegonha-preta (Ciconia nigra), à qual foi atribuído o estatuto de “em perigo”, e passeriformes de difícil observação, como o rouxinol-do-mato (Cercotrichas galactotes), a pega-azul (Cyanopica cyana) e o rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus). Mais ou menos comuns, mais ou menos avistáveis, registam-se as presenças de águias, corvos, mochos, corujas, coelhos-bravos, lebres, perdizes, poupas, melros, cegonhas, pintassilgos, gaios, folosas, papa-figos, tentilhões, codornizes, cotovias e abelharucos (Merops apiaster).

Na ribeira da Meimoa e nos rios Baságueda e Côa podemos pescar uma dezena de espécies piscícolas pertencentes à fauna nativa de Portugal continental. São comuns o escalo-do-norte (Leuciscus chepalus cabeda) – endemismo ibérico – e a carpa (Cyprinus carpio). Mais rara, a truta-de-rio (Salmo trutta). Relativamente comuns são ainda a boga, o bordalo, a perca, o barbo e o achigã.

Uma outra vertente dos vários cursos de água são as zonas balneares situadas nos concelhos do Sabugal e Penamacor. As diversas praias fluviais proporcionam um conjunto de atividades de lazer em meio aquático. A escolha pode recair nas praias do concelho do Sabugal, com o mote desfrute do Rio Côa ao longo do seu curso podemos frequentar as praias de: Alfaiates, Badamalos, Fóios, Malcata, Penalobo, Quadrazais, Rapoula do Côa, Sabugal, Seixo do Côa, Vale das Éguas e Vale de Espinho.

 

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No concelho de Penamacor a escolha pode recair nas praias fluviais do Meimão, Meimoa e Benquerença. A ribeira da Meimoa alimenta estas três zonas balneares inseridas numa paisagem entre campos agrícolas, prados para a criação de gado e as serras fortemente arborizadas.

Em termos de património histórico os concelhos vizinhos de Penamacor e Sabugal possuem um conjunto de edificado relevante. Os destaques vão para a Torre de Menagem de Penamacor e o Castelo das 5 quinas devido à invulgar torre de menagem, um castelo único em Portugal. Em Penamacor datam ainda do séc. XVI monumentos emblemáticos como a Casa da Câmara, Pelourinho, Igreja da Misericórdia e o Convento de Santo António. Em 1807, Penamacor foi invadida pelos Exércitos de Napoleão, sendo comuns com o resto da região os relatos de episódios de pilhagem e destruição.

O Castelo do Sabugal viu-se envolvido mais tarde na terceira invasão francesa. As tropas napoleónicas foram desbaratadas em abril de 1811 nesta vila fronteiriça, quando as tropas anglo-lusas ali aquarteladas combateram e derrotaram o exército francês que retirava sob o comando de Massena.

Carlos Cruchinho

 

Bibliografia consultada:
Folheto PNC PR1 – C. M. de Penamacor
Natural.PT

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