O folclore está (rá) de volta!?
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O folclore está (rá) de volta!?

folclore - toronto - revista amar
Créditos: Carmo Monteiro

 

Há semanas assim… há umas semanas, fui convidado pelo Andrew Camara para assistir ao ensaio do seu grupo, o rancho folclórico do Clube Português de Mississauga (PCCM).

Numa sexta-feira, ao início da noite, cerca de meia centena de jovens, crianças e alguns adultos do grupo ensaiavam no parque de estacionamento do clube. À média luz e já com o vento de outono, observava todos aqueles jovens empolgados a dançar folclore (podiam estar a fazer outra coisa) mas, ali estavam atentos aos conselhos da ensaiadora Nancy Vieira. O ritmo era composto por dois jovens à concertina – o Miguel e o Mário Pereira! Eu estava que nem um peixinho na água a ver os elementos a dançar, moda após moda, com a ajuda da diretora do grupo Angie Camara que me adiantou que o mesmo foi fundado em 1987 e que desde então têm representado o clube em muitos eventos, incluindo festivais de folclore e, claro, no “Carassauga”. Para meu espanto dançaram a “Chula Vareira”, uma moda da minha linda Póvoa de Varzim… por momentos esqueci-me das agruras da vida!

Neste estado de melancolia, de repente lembrei-me que o rancho esteve praticamente parado durante dois anos e era a primeira vez que eu voltava ao clube depois da morte do seu presidente Tony Sousa.

Quem o conheceu, pode testemunhar a sua dedicação ao clube, à cultura portuguêsa e, particularmente, aos jovens e ao rancho folclórico. Imaginei-o ali, naquele lugar a olhar pelos seus pupilos…

Eu estava nas nuvens, embora não as pudesse ver – que falta me fazia ver um grupo a dançar e creio que este é um dos primeiros, senão mesmo o primeiro a ensaiar depois desta maldita pandemia.

Enquanto o grupo ensaiava, eu ia trocando dois dedos de conversa com os pais dos elementos que me diziam o mesmo. “Sabe, nós também tínhamos falta deste convívio semanal, os garotos estavam fartos de estar em casa e este exercício é muito bom para eles, nós aqui, somos como uma família!”

Fiquei a entender o porquê da boa disposição e camaradagem entre os elementos. Este é de facto a “cola” que une o grupo! Os ensaios parecem ser produtivos e darão fruto em breve, estou certo!

Faço votos que outros grupos, logo que possível, sigam o exemplo e em breve possamos ter festivais de folclore ou eventos onde haja folclore.

Por último quero agradecer ao rancho por se ter lembrado de mim e me terem recebido com tanto carinho e afeto!

O folclore também é isto, por em prática os bons costumes sociais, só assim se pode representar com dignidade a cultura e tradições portuguesas.

Laurentino Esteves

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