Seja bem-vindo, Sr. Presidente!
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Seja bem-vindo, Sr. Presidente!

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Vai ficar para a história como o Presidente dos afetos, do toque e da proximidade. Aliás, a sua extraordinária capacidade de comunicar, de estabelecer pontes e criar uma conexão genuína com os cidadãos tem sido um dos pilares do seu sucesso político.

A comunicação é uma ferramenta essencial para qualquer líder político e Marcelo Rebelo de Sousa entende isso perfeitamente. Desde cedo, o Professor Marcelo utilizou os diferentes meios de comunicação para se aproximar das pessoas. Foi o precursor do comentário político em Portugal, primeiro na rádio e depois na televisão, onde se tornou um fenómeno de popularidade. Durante anos, teve uma larguíssima janela de projeção mediática com as suas aparições na TV, ao domingo à noite, onde fazia a análise política da semana. Com a sua forma peculiar de se expressar, com uma linguagem acessível e sua abordagem clara de assuntos algo complexos Marcelo era compreendido por todos os estratos sociais, que o viam entrar nas suas casas, todas as semanas. Passou a ser uma referência para muitos, alguém em quem os portugueses começaram a confiar. Era quase uma pessoa da casa, da família de cada um.

Em 2016, foi eleito pela primeira vez Presidente da República portuguesa e, de novo, a comunicação eficaz desempenha um papel importante na construção da sua imagem pública. Uma imagem positiva que sempre contribuiu para fortalecer a sua liderança política, que nunca deixou de estar “em alta”. Além disso, as suas visitas regulares a diferentes regiões do país, onde interage diretamente com as pessoas, que abraça, beija e com quem tira as famosas selfies, sem se esquecer de ouvir as suas necessidades e angústias, fazem com que o Presidente da República seja visto como alguém próximo do povo, alguém que se importa genuinamente com suas preocupações e luta pelos seus interesses. Essa imagem positiva tem contribuído muito para fortalecer a sua liderança política. E hoje é inquestionável para a esmagadora maioria dos portugueses que, como chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa tem sido fundamental na promoção da unidade e da estabilidade no país.
Conhecido pela sua mente de exceção, com uma capacidade de raciocínio fulgurante, Marcelo tem um ritmo de trabalho acelerado e eficaz e que, de certo modo, contagia quem com ele trabalha. Há uma outra marca de personalidade que quem convive com o Presidente lhe reconhece – o seu dinamismo é, normalmente, acompanhado por boa disposição, o que gera um bom ambiente. É agradável trabalhar com Marcelo, asseguram. Parece ser tudo excessivo na sua maneira de estar e de ser, desde a sua energia, à forma efusiva como cumprimenta – seja um outro chefe de Estado, seja o Papa, seja um português que com ele se cruze… só é “contido” nas horas de sono – é há muito sabido que Marcelo Rebelo de Sousa não perde muito tempo a dormir. Quatro, cinco horas por noite chegam-lhe para repor as energias.

 

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Marcelo e os mergulhos no mar e no rio…

Marcelo Rebelo de Sousa mesmo antes de se tornar Presidente da República Portuguesa, já era uma figura proeminente da política portuguesa. Iniciou o seu percurso político como membro do Partido Social Democrata (PSD), onde foi deputado de 1991 a 2016. Durante este período, ocupou vários cargos no partido, incluindo o de porta-voz e líder. Candidatou-se à Câmara Municipal de Lisboa em 1989 e não deixou os créditos de comunicador e especialista em marketing político por mãos alheias quando decidiu lançar a sua candidatura de uma forma tão original, que nunca mais foi esquecida e quase lhe valeu a vitória.

Em 1989, o estuário do Tejo, que banha Lisboa, era um dos mais poluídos da Europa, com os esgotos de toda a cidade e dos seus arredores a desaguarem diretamente ali, sem qualquer tratamento. Se agora mergulhar no Tejo parece uma ideia perigosa, na altura era uma ideia louca. Mas foi o que Marcelo Rebelo de Sousa fez, inaugurando assim a mais inusitada campanha de que há memória em Portugal – com direito a um dia passado a conduzir táxis, uma noite com o camião do lixo, corridas em Monsanto e noites animadas. É que, nessa altura, só 20% dos lisboetas sabiam quem era o candidato Marcelo – não tinha ainda começado a sua vertente de estrela televisiva dos domingos à noite – e era necessário que todos os focos incidissem sobre ele. O principal adversário era de peso – Jorge Sampaio -, e ainda por cima tinha conseguido, pela primeira vez, juntar todas as forças de esquerda em torno da sua candidatura, o que naturalmente tornava a caminhada de Marcelo Rebelo de Sousa ainda mais complicada.

Hoje o mais maduro e ponderado Marcelo, considera que aquele mergulho no Tejo foi mesmo uma “ideia louca” que surgiu também porque uma das suas bandeiras de campanha seria a requalificação da zona ribeirinha e a reconciliação dos lisboetas com o seu rio. Ao mesmo tempo, Marcelo sabia que essa ação iria ter um enorme peso mediático, para além de mostrar a audácia do candidato. O que aconteceu, mas não foi suficiente para conquistar a maior câmara municipal do país.

Como nota final e a título de curiosidade, este feito de mergulhar em águas extremamente poluídas foi também para Marcelo um enorme ato de superação, relativamente à sua assumida hipocondria (mania das doenças). No entanto, só falou com o seu médico uma semana antes do grande acontecimento, que o aconselhou a fazer pelo menos a primeira toma da vacina contra a hepatite B (são precisas três) e depois logo se via. Seis meses depois, Marcelo Rebelo de Sousa fez análises e foi detetado que tinha contraído hepatite B, mas o seu organismo conseguiu combater naturalmente a doença.

A sua história de exímio nadador, daqueles para quem a água nunca está fria, continua a ser construída. É vulgar os banhistas serem surpreendidos pelo Presidente português que vai à praia, normalmente de manhã cedo, só para dar um mergulho e não é necessário que seja verão.

Em 2020, Marcelo Rebelo de Sousa foi notícia em todo o mundo por ter ajudado a salvar duas jovens no mar, no Alvor, Algarve. As duas raparigas estavam a fazer canoagem, quando caíram ao mar. “Aquelas jovens vinham de outra praia com uma corrente muito grande, foram arrastadas para fora na direção destas praias. Viraram-se [na canoa], engoliram muita água e não foram capazes de se voltar a virar, nem de seguir, nem de nadar, tal a força da corrente”, explicou na altura o chefe de Estado. O Presidente e “outro patriota”, que estava com um jet-ski, conseguiram trazê-las de volta à areia.

 

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Marcelo, o Professor

Filho de Baltazar Rebelo de Sousa, médico, e de Maria das Neves Fernandes Duarte, assistente social, Marcelo Rebelo de Sousa cresceu em Lisboa e foi sempre um aluno brilhante, concluindo os estudos no Liceu Pedro Nunes, em 1966, com média de 19 valores, a mesma classificação com que se licenciou em Direito, em 1971, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Terminou o mestrado em 1972 e, mais tarde, o doutoramento em Ciências Jurídico-Políticas, em 1984, com uma tese intitulada “Os partidos políticos no direito constitucional Português”. Deu aulas na Faculdade de Direito de Lisboa desde o ano letivo 1972/73 e tornou-se professor catedrático em 1992. Ensinou também noutras faculdades e em países lusófonos e foi jurisconsulto. Excetuando breves interrupções, quando foi deputado constituinte e quando exerceu funções governativas, manteve a atividade docente em paralelo com a política e com o comentário na comunicação social, até assumir o cargo de Presidente da República, jubilando-se ao cumprir 70 anos.

 

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Outras histórias de Marcelo

Começou jovem a sua ligação à imprensa escrita, como articulista. Ainda antes do 25 de Abril, esteve na criação do Expresso, onde enfrentou a censura prévia e veio a ocupar cargos de direção e administração, ganhando fama de criador de “factos políticos”. Na década de 1980, lançou outro jornal, o Semanário, e mais tarde aumentou a sua notoriedade como comentador na rádio – no Exame da TSF atribuía notas aos protagonistas em análise ficando popularmente conhecido como “professor Marcelo”.

Ao longo destas décadas de protagonismo público, Marcelo vincou a sua ligação a Celorico de Basto, concelho no interior do distrito de Braga, (terra natal da sua avó paterna, Joaquina), onde foi presidente da Assembleia Municipal, durante dois mandatos, de 1997 a 2005. Foi lá que apresentou a sua candidatura a Presidente da República em 09 de outubro de 2015 e que encerrou a campanha para as presidenciais de 2016, no dia 22 de janeiro, escolhendo como cenário a biblioteca municipal que tem o seu nome e para a qual contribuiu com milhares de livros e documentos.

Marcelo Rebelo de Sousa reside em Cascais, numa casa arrendada, cheia de livros, pinturas e gravuras, e mantém as rotinas de tomar banho de mar praticamente todos os dias em todas as épocas do ano, de ir regularmente à missa e de se deitar tarde, aproveitando muitas vezes a noite para fazer telefonemas.
Antes de ser Presidente da República, presidia ao conselho administrativo da Fundação da Casa de Bragança. Foi também membro do Conselho de Estado, entre 2006 e 2016, designado pelo anterior chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.

Foi condecorado pelo Presidente da República Mário Soares com a Comenda da Ordem de Santiago da Espada, em 1994, e pelo Presidente Jorge Sampaio com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 2005.

 

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Marcelo Rebelo de Sousa e a Emigração

Como todos bem sabemos, a emigração é um fenómeno que tem marcado a História de Portugal ao longo dos séculos. Milhares de portugueses têm deixado o país em busca de melhores oportunidades de vida, seja por motivos económicos, políticos ou sociais. Nesse contexto, Marcelo Rebelo de Sousa tem desempenhado um papel importante como Presidente da República Portuguesa, mostrando-se sempre atento e próximo de quem vive fora das fronteiras portuguesas, reconhecendo a importância dos laços culturais e afetivos que os emigrantes mantêm com Portugal, incentivando-os a manterem as suas raízes vivas.

Recentemente, Marcelo Rebelo de Sousa assumiu uma posição pública relativamente ao diploma aprovado no Parlamento português que altera a composição, organização e funcionamento do Conselho das Comunidades Portuguesas. O Presidente considerou, numa nota divulgada pela Presidência da República, que o diploma fica “longe do que dele se poderia esperar” e constitui, “uma oportunidade largamente desperdiçada”. Apesar de considerar que há alguma evolução positiva, o Presidente classificou de tímidas as inovações introduzidas. No entanto, promulgou o diploma porque preferiu “não punir os nossos concidadãos espalhados pelo mundo, heróis do dia a dia, e que tanto esperaram e esperam por maior reconhecimento nacional”. A nota continua com uma explicação mais pormenorizada sobre a tomada de posição do Presidente – “o diploma fica longe do que dele se poderia esperar, trinta anos depois da criação do Conselho e tendo mudado tanto, como mudaram, as Comunidades e as suas variadas formas de acompanhar a evolução dos tempos. Fica longe, porque deveria ser um diploma de consenso nacional e não o foi no Parlamento. Fica longe, no número de conselheiros, na recusa do ensaio do voto eletrónico, na definição imediata de meios mais ambiciosos de ação, no relacionamento com novas ou renovadas estruturas nas Comunidades”. Assim, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, este documento traduz-se numa “oportunidade largamente desperdiçada”, que explica “a posição negativa unânime dos membros do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas. Ainda assim, entre maior espírito reformista a prazo incerto e os passos limitados dados desde já, parece realista concretizar estes passos, não desistindo de apelar a maior ambição no futuro”, concluiu o chefe de Estado.

Marcelo no Canadá

Em breve, a comunidade portuguesa residente no Canadá vai ter o prazer de acolher o Presidente da República Portuguesa. A visita, cujo programa oficial não é conhecido no momento em que vos escrevo, ficará com toda a certeza na história dos portugueses, lusodescendentes ou luso-canadianos, que há 70 anos começaram a desbravar caminhos de integração numa sociedade desconhecida, mas que se revelou muito acolhedora. A história dos portugueses aqui residentes está, aliás, bem patente na exposição “Movimento Perpétuo: The Portuguese Diaspora in Canada”, que estará no Toronto Metro Hall, entre os dias 11e 22 de setembro, e será oficialmente inaugurada pelo Presidente da República (em dia ainda não revelado). Para além disso, o Presidente estará também num dos momentos mais altos da história da comunidade portuguesa –o lançamento da primeira pedra do Magellan Community Centre, que acontecerá no sábado, dia 16 de setembro, ao meio-dia.

Seja bem-vindo, Sr. Presidente!

Madalena Balça

 

 

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Marcelo Rebelo de Sousa

Biografia

Marcelo Rebelo de Sousa nasceu em Lisboa, a 12 de dezembro de 1948. É católico, tem 2 filhos e 5 netos.
Licenciado em Direito, doutorou-se em Ciências Jurídico-Políticas em 1984. Foi Professor Catedrático na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, tendo lecionado, ao longo da sua carreira, em diversas instituições de ensino superior, em Portugal e no estrangeiro.

Foi jornalista, tendo dirigido o Jornal Expresso, entre 1980 e 1983, e colaborado com o Jornal Semanário, de 1983 a 1987. Posteriormente, participou na comunicação social como comentador político na rádio TSF e, mais tarde, nas televisões, RTP e TVI.

Colabora com diversas associações e instituições cívicas e do setor social como fundador, patrono, dirigente ou simplesmente como voluntário.

Exerceu o mandato de deputado à Assembleia Constituinte em 1976. Fez parte do VIII Governo Constitucional como Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e, mais tarde, como Ministro dos Assuntos Parlamentares.

Militou no PSD desde a sua fundação e foi seu presidente entre 1996 e 1999, tendo contribuído decisivamente para a estabilidade governativa, enquanto líder da oposição. No plano internacional, promoveu a adesão do PSD ao Partido Popular Europeu no qual chegou a ocupar o cargo de Vice-Presidente.

Desempenhou diversos cargos em autarquias locais, foi Deputado Municipal, Deputado Metropolitano, Vereador e Presidente da Assembleia Municipal dos Concelhos de Cascais, Lisboa e Celorico de Basto.

Foi eleito Presidente da República, pela primeira vez, a 24 de janeiro de 2016 tendo tomado posse a 9 de março.
Foi reeleito para um segundo mandato a 24 de janeiro de 2021 e tomou posse a 9 de março do mesmo ano.

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