Tulia Ferreira
Entrevistas

Tulia Ferreira

 

 

A escolha de vida profissional nem sempre é óbvia, por vezes os caminhos levam-nos para onde não imaginávamos que seria o nosso destino. Foi isto que aconteceu a Tulia Ferreira, uma transmontana que, por ser boa em tudo o que dissesse respeito a números, chegou a pensar que a contabilidade seria uma profissão em que se sentiria como “peixe na água”. Afinal, um episódio da vida familiar mostrou-lhe que seria mais importante trabalhar com e para as pessoas, que devem ser tratadas como tal, ou seja, como pessoas e não como números. Foi esta tomada de consciência que acabou por definir a sua futura área de atividade profissional. Hoje Tulia Ferreira é empresária, fundadora e CEO da Surge Learning, uma empresa que se dedica ao treino de profissionais que têm por missão cuidar dos outros, nomeadamente nos lares de cuidados de longa duração.

Nasceu numa pequena aldeia de Trás-os-Montes, do concelho de Miranda do Douro, distrito de Bragança, chamada Genísio. Lá, nesse sítio quase encostado a Espanha, começou a formar a sua personalidade e lá viveu até a família fazer as malas e partir para Toronto à procura de uma vida melhor. Depois da confusão mental inicial que uma grande metrópole causou a uma criança, que passou a ouvir uma língua que desconhecia e onde tudo era diferente da sua realidade até então, a pequena Tulia tornou-se tímida e introvertida. Afinal, tinha apenas 12 anos. Agora já cá está há 56 e Portugal continua a ser “casa”, embora agora esteja virada para o mar e não numa aldeia cada vez mais esvaziada de gente e perdida nos montes raianos.

 

 

De Genísio até Toronto

A viagem foi longa e a distância agigantou-se com as diferenças encontradas. Aqui tudo era substancialmente diferente: os invernos ainda mais rigorosos, o falar estranho, mais estranho que o mirandês, as pessoas… para trás ficaram os amigos da escola, familiares, mas havia pelo menos uma diferença positiva em Toronto: a família reencontrou-se com o pai.

Onde nasceu?
Eu nasci em Genísio, Miranda do Douro. É uma terra muito pequenina que fica ao pé de Miranda do Douro, em Portugal. Estou aqui no Canadá já há 56 anos, mas ainda mantenho o português. Nós vamos a Portugal todos os anos, portanto consegui sempre falar um bocadinho português. Quando nasci não fazia ideia que algum dia iria parar aqui, a Toronto, uma grande cidade, uma grande metrópole.

Como é que se deu essa passagem de uma pequena aldeia de Trás-os-Montes para Toronto?
Eu ainda era criança, tinha 12 anos. O meu pai e a minha irmã mais velha tinham emigrado para o Brasil uns dois ou três anos antes de nós virmos para o Canadá e a minha mãe tinha cá os irmãos, os meus tios, portanto. O meu pai decidiu vir do Brasil para aqui e mandou-nos vir. E viemos, a família inteira. A minha mãe tinha ficado em Genísio com as quatro filhas, porque somos cinco raparigas. Éramos, portanto, uma família grande, mas que vivia com muita alegria, com muito amor, sempre, em todas as ocasiões. Então, depois viemos para o Canadá, porque os meus pais queriam que nós tivéssemos um futuro melhor do que aquele que eles tiveram. Sabe, Genísio é uma aldeia que só sobrevive da agricultura e os meus pais não queriam isso para nós, queriam que nós tivéssemos uma vida diferente no futuro, muito diferente daquilo que eles tiveram.

De qualquer maneira, sair da sua terra já com 12 anos, já com consciência do que estava a deixar para trás – os seus amigos, família, a escola… – foi difícil para si esse momento?
Foi. Foi difícil. Só se tornou fácil porque sabíamos que vínhamos com a minha mãe e tínhamos cá o meu pai. Portanto, foi uma alegria reunirmos outra vez a família toda, incluindo o meu pai e a minha irmã mais velha, porque tinham ido os dois para o Brasil. Mas os primeiros anos foram difíceis, porque nós não sabíamos a língua. Tivemos que encontrar novos amigos ou novos colegas na escola. E os invernos foram muito difíceis, principalmente os primeiros invernos, porque não estávamos acostumados à neve. Em Miranda do Douro também neva e faz frio, mas não tanto como aqui.

À chegada a Toronto, que impacto sentiu? A menina que veio de uma pequena aldeia para esta cidade o que é que achou de tudo o que a rodeava?
Tudo era diferente. Era grande, certo? Era tudo muito estranho para nós. Porque na minha terra natal, para ter uma noção, eu lembro-me de quando começámos a ter eletricidade. Por isso, tínhamos um estilo de vida muito básico e éramos uma família de agricultores. Quando chegámos a Toronto, tudo era grande, diferente e estranho. Houve um período de adaptação, que não foi fácil. E a língua foi muito difícil no início porque, nós falávamos português, obviamente, essa não é a língua do Canadá, por isso, tivemos de aprender o inglês e isso acabou por ser um grande desafio nos primeiros anos.

Quando chegaram, lembra-se para onde foram viver?
Na verdade, o meu pai já tinha comprado a casa. Por isso, viemos para o coração da comunidade portuguesa, na zona de Ossington e Dundas. Foi para aí que fomos quando chegámos e foi aí que crescemos. Uma zona onde já havia alguns portugueses, embora na altura não fossem assim tantos quanto depois de uns anos lá, porque nós imigrámos para o Canadá em 1967. Por isso, já havia alguns portugueses, mas depois vieram muitos mais. No início, havia outras culturas, como a polaca e outras. E depois, com o tempo, começámos a ver um afluxo de imigrantes portugueses. Por isso, sim, havia alguma familiaridade. Era bom poder ir à padaria e comprar os pães portugueses e ver algumas das coisas a que estávamos habituados.

Como se sentiu enquanto criança recém-chegada a este país?
Acho que me tornei muito introvertida, porque era muito tímida e, sabe, as outras crianças na escola (porque eu fui logo para a escola), as outras crianças gozavam com a nossa forma de falar inglês. E isso teve, obviamente, um impacto em nós, em mim, pessoalmente. E tornei-me muito tímida durante toda a escola primária e depois também no liceu, até começar a sentir-me muito mais à vontade com a língua inglesa e muito mais confiante em relação a quem eu era como pessoa.

 

 

Os pais e a procura de uma vida melhor

Foi afinal para isso que vieram, para trabalhar e garantir que as filhas não ficariam dependentes de uma vida ligada ao duro trabalho no campo. Os pais de Tulia Ferreira, tal como tantos outros da nossa comunidade, trabalharam muito para que tudo valesse a pena. E valeu.

Com uma família tão grande… o seu pai trabalhava e a sua mãe também, ou ficava a tratar das filhas e da casa?
Ela fez as duas coisas. Eles eram incríveis. Os meus pais vieram obviamente à procura de um futuro melhor para nós, por isso trabalharam muito, muito arduamente. O meu pai trabalhava na construção civil, a minha mãe criou as filhas e depois trabalhou em part-time como empregada de limpeza num edifício de escritórios no centro da cidade. Portanto, a nossa história é muito parecida com a de muitos outros portugueses que vieram para o Canadá. As mulheres trabalhavam e tinham de desempenhar algumas tarefas domésticas. E nós também tínhamos que ajudar, por isso, em vez de irmos ao parque, quando não tínhamos escola nos dias mais quentes, íamos apanhar tomates, durante os primeiros 4 ou 5 anos, para ajudar os meus pais a pagar a hipoteca, as contas e as outras coisas que eram importantes para nós. E era assim que passávamos os nossos verões.

E durante o tempo de escola, o que faziam nos tempos livres?
Na verdade, juntámo-nos a um clube de jovens, fazíamos parte de um grupo de jovens da igreja que frequentávamos. Todas nós gostávamos de cantar, fazíamos parte do coro e adorávamos dançar. Fazíamos parte de alguns dos Ranchos, também. E depois, com os meus pais e a minha família, havia sempre gente na nossa casa. Por isso, os domingos eram sempre, sabe, o dia da família. Por vezes, íamos a Wasaga Beach e havia sempre alguma coisa para fazer. E também voltámos a Portugal algumas vezes.

Trabalhar com e para as pessoas, porquê?

A história que podem ler já de seguida, põe em evidência a importância do acaso em decisões tão importantes como é a escolha de vida profissional. Ao dar apoio à sua mãe, Tulia percebeu como é necessário que haja quem se dedique a cuidar dos outros.

Quando percebeu que a sua vida profissional iria ser ligada ao “cuidar dos outros”?
Durante todo o liceu, pensei que ia ser contabilista. Eu era ótima em matemática. Então pensei: “contabilidade é o que vou escolher como carreira”. Até que a minha mãe teve de ser internada no hospital para uma cirurgia. E foi esse momento que foi crucial para mim, porque, como ela não falava inglês, reconheci a necessidade de ter alguém que defendesse os imigrantes portugueses que não falavam a língua. Por isso, acabei por ser a tradutora dela enquanto esteve no hospital. E foi isso, sabe, que me fez decidir ir para enfermagem? Porque senti que havia uma necessidade de ter enfermeiros que falassem português e que fossem capazes de apoiar, cuidar e ajudar os portugueses que precisassem de cuidados.

E não está arrependida por ter optado por esse caminho?
De modo algum, foi a escolha certa para mim. Escolhi os cuidados continuados, embora tenha trabalhado em cuidados intensivos durante alguns anos. Escolhi os cuidados continuados porque queria envolver-me com as pessoas de uma forma holística. Queria fazer parte disso. E, sabe, acho que contribui para uma diferença significativa nesta área. Há mais de 30 anos que trabalho em cuidados continuados, em várias funções. E sempre senti que essa era a carreira certa para mim, em termos de defesa dos idosos e da população mais vulnerável da nossa sociedade. Por isso, tem sido uma viagem incrível. inicialmente, quando entrei em enfermagem, sempre pensei que seria uma enfermeira de cabeceira, prestando cuidados clínicos, portanto. A verdade é que a minha carreira acabou por me levar a diferentes áreas. Acabei por conseguir alguns cargos de gestão: diretora de cuidados, diretora executiva, e depois envolvi-me muito com a associação de cuidados de longa duração do Ontário. Em resultado desse envolvimento, fui destacada pelo Ministério da Saúde para fazer parte da equipa legislativa que redigiu a política que serviu de base aos regulamentos que regem os lares de longa duração. Legislação que sofreu alteração, desde então, mas, sabe, muitos dos regulamentos que elaborámos como equipa reguladora ainda existem.

Entretanto tornou-se empresária, mas sempre nesta área de atividade…
Eu tinha uma empresa de consultoria que, na verdade, prestava muita consultoria e tinha diferentes oportunidades de envolvimento no setor. Mas, como resultado de ter feito parte da equipa legislativa, tornou-se evidente para mim que precisávamos de uma forma diferente de dar formação ao pessoal nos lares de longa duração. Por isso, pensei em criar uma empresa de software e chamei-lhe Surge Learning. Começámos por apresentar a empresa a alguns amigos do setor dos cuidados prolongados, só para conhecer a perspetiva deles e saber como seríamos recebidos ou se seria uma boa ideia oferecer uma opção diferente de e-learning, portanto, online. E foi o que fizemos. Foi uma ideia extremamente bem recebida. E, desde então, crescemos a nível nacional. Por isso, tivemos a oportunidade de introduzir o nosso conceito e o que fazemos noutras províncias e, a partir de agora, estamos em todo o Canadá. Temos a maior parte do mercado em Ontário. Portanto, acho que somos um exemplo, mas estamos em constante evolução. Estamos constantemente a desenvolver novos módulos de formação porque há alterações na legislação. E não se trata apenas de legislação, trata-se também de práticas baseadas em provas, porque queremos ter a certeza de que estamos a dar formação com base em provas e conhecimentos atuais. Por isso, é uma constante evolução. E estamos constantemente a crescer. Mas penso que somos um exemplo para o mercado de cuidados prolongados nesta área.
Atualmente, estamos a desenvolver, de novo, o software. Estamos a trabalhar com uma empresa na Índia que vai fazer avançar a nossa tecnologia, de uma forma mais condizente com as tecnologias atuais. Por isso, o nosso trabalho vai ter um aspeto mais parecido com o das redes sociais e vai ter características e funcionalidades melhoradas. E o e-learning é uma viagem para nós. Por isso, estamos a introduzir incentivos para o pessoal ou para os utilizadores que acedem ao nosso sistema, para que não seja apenas uma espécie de formação obrigatória, mas faça parte da aprendizagem e desenvolvimento contínuos dos utilizadores que acedem ao nosso sistema.

Como avalia a situação atual desse setor?
Penso que tem havido um grande crescimento no setor dos cuidados de longa duração. Como sabe, há necessidade de mais camas em lares de cuidados prolongados. E o recente anúncio do governo mostra um compromisso de investir mais nos cuidados de longa duração, o que é, penso eu, bem recebido pelo setor. Há realmente uma vontade de transformar a forma como prestamos cuidados. Por isso, em vez de nos concentrarmos tanto nas rotinas e nas tarefas, há realmente uma vontade de mudar para cuidados centrados na pessoa, de modo a envolver o indivíduo nas atividades diárias e a concentrarmo-nos realmente no ponto em que se encontra no seu percurso de vida, mas também nos seus pontos fortes. Por isso, há uma grande transformação no sentido de nos afastarmos do modelo clínico de cuidados, para um modelo que se centra realmente no indivíduo.

 

 

Profissional e voluntária

Podia não o fazer, podia pura e simplesmente continuar o seu percurso bem-sucedido enquanto empresária, mas Tulia Ferreira não recusou o convite que lhe foi feito para, com os seus conhecimentos, ajudar a construção de um projeto emblemático e essencial para a nossa comunidade – o Magellan, um lar de cuidados de longa duração, culturalmente dedicado aos portugueses. Fá-lo com gosto e a título voluntário, tal como os restantes membros da direção.

Recentemente, aceitou integrar a direção do Magellan Community Charities. Porquê? E como se sente por estar a dar parte do seu tempo a uma instituição comunitária?
Estou entusiasmada. Acho que é um privilégio fazer parte da direção. Para mim é muito importante sentir que estamos a embarcar e a fazer parte de uma viagem que irá criar um ambiente de cuidados de longa duração para os idosos portugueses. Estamos a construir um lar de longa duração. Vai ter 256 camas de cuidados de longa duração. Além disso, haverá 57 unidades de habitação económica e alguns espaços comuns para outros programas. Por isso, estou entusiasmada com o projeto. Penso que é um privilégio. E espero que consigamos mudar a forma como prestamos cuidados, criando uma cultura centrada na pessoa e oferecendo a língua que os nossos idosos conhecem melhor, o português, a nossa comida. E isto é tão importante, assim como é essencial envolver a comunidade e fazer com que a comunidade faça parte de tudo isto. Que depois venha ao Centro Comunitário Magellan para oferecer programas e celebrar as festividades, as festas de que tanto gostamos, com a nossa música e as nossas tradições. Por isso, espero que sejamos capazes de construir um lar de longa duração que respeite realmente os idosos portugueses, que cumpra as tradições e que traga um pouco de Portugal para Toronto e para os idosos que lá vão viver.
Acho que é importante para nós, como comunidade, estarmos unidos e fazermos isto acontecer. Temos um conselho de administração dedicado, com diversas competências, e todos voluntários, mas que estão a trabalhar arduamente para tornar isto realidade. É óbvio que se trata de uma organização sem fins lucrativos. Estamos a receber algum financiamento do Ministério da Saúde, da cidade, por isso, contamos com o apoio dos diferentes níveis de governo, o que tem sido incrível. E também da comunidade, mas precisamos que todos se envolvam e, dentro das suas possibilidades façam alguns donativos para o projeto, de modo a podermos torná-lo realidade e concretizá-lo. E depois precisamos de um apoio contínuo, ou seja, precisamos de ter a comunidade como parte integrante do lar de longa duração Magellan, o que penso que será benéfico para a comunidade em geral.

Concretamente, o que estão a fazer para conseguir mais envolvimento da comunidade em torno do projeto Magellan?
Uma das coisas que estamos a fazer neste momento. Esperamos poder introduzir uma série de ações de formação. Vamos chamar-lhe “Viver é Envelhecer”. Eu, a Natalie e a Ofelia temos andado a fazer muita investigação. Reunimo-nos com parceiros da comunidade e parceiros dentro deste sistema e visitámos também alguns lares de longa duração, porque como parte da transformação em termos de prestação de cuidados, queremos ser capazes de começar a introduzi-los na comunidade. Esperamos poder adotar um modelo de cuidados, chamado modelo borboleta, que se afasta da orientação para a tarefa e passa a envolver a pessoa nos seus cuidados. Por isso, temos feito muita investigação e esperamos poder começar a partilhar alguns desses recursos com a comunidade. Também queremos concentrar-nos na introdução dos serviços disponíveis na comunidade. Quais são as diferenças entre os cuidados em lares de terceira idade e os cuidados de longa duração e, em seguida, fornecer alguns recursos em termos de navegação no complexo sistema de cuidados de longa duração, de modo que, se alguém precisar de colocação ou de cuidados de longa duração, também possamos ser um recurso para a comunidade. Por isso, vamos partilhá-lo no sítio Web, através de podcasts e videocast e, também, em papel de jornal. Esperamos poder lançá-lo nos próximos meses.

Sente que os seus pais teriam orgulho de saber que uma das filhas está envolvida num projeto desta natureza?
Sim, acho que os meus pais sempre tiveram muito orgulho em nós e em mim também, de certeza. Acho que eles veriam isso como parte do seu legado. Eles trabalharam muito, muito duro. E, como referi anteriormente, foram os nossos pais que criaram a comunidade portuguesa e construíram a sua espinha dorsal. Por isso, acho que eles estariam obviamente muito orgulhosos dos esforços que estão a ser feitos para honrar e cuidar dos nossos mais velhos.

Ir e voltar: um plano de futuro

Portugal é desde há tempo um destino de férias de eleição. E significa sempre um regressar a “casa”, apesar de Tulia não imaginar “ir para Portugal e pronto”. No Canadá há também muita vida vivida, memórias afetivas e uma parte essencial da sua existência. Ir e ficar, não, mas ir e voltar é um bom plano de futuro, um dia…

E Portugal, que lugar ocupa na sua vida?
Eu adoro Portugal. Vamos lá todos os anos. Na verdade, tivemos a sorte e a bênção de poder ter uma casa junto ao mar. Por isso, para mim, é o meu lugar feliz. É apenas reconectar-me com as minhas raízes. O estilo de vida é diferente. Eu adoro o estilo de vida de Portugal. Adoro o sol. Adoro as praias. Por isso, sim, para mim, é a minha casa.

Pensa um dia regressar e ficar a viver em Portugal?
Sabe que mais… essa é uma ótima pergunta (riso). Espero ser capaz de ir e voltar. Eu tenho laços familiares aqui. Obviamente, o meu filho, os meus netos, e eles são a minha vida. É por eles e para eles que eu vivo, mas espero poder passar algum tempo lá e depois algum tempo aqui também. Sim.

Mãe, avó e profissional: uma questão de equilíbrio

É um equilíbrio que por vezes se torna difícil de encontrar – ser mãe e depois avó, sem nunca deixar de ter vida própria e, essencialmente, garantir o cumprimento de todas as tarefas que o dia-a-dia de trabalho exige. Mas tudo se consegue, é só saber dar prioridade ao que realmente interessa. E, nesta balança de Tulia Ferreira, é normal que o peso penda mais para o lado da família.

Por falar em filho e netos… como conseguiu com essa vida profissional tão absorvente, conciliar a sua vida profissional, com a função de mãe e de avó?
Acho que é natural, porque queremos ser mães. Queremos dar ao nosso filho o melhor que pudermos dar e queremos ter um equilíbrio entre o que fazemos profissionalmente e o que fazemos como mães. Embora tenha havido alguns desafios ao longo do caminho, acho que consegui atingir esse objetivo com bastante sucesso. E agora com os netos… sabe, é como se os filhos fossem o arco-íris e os netos fossem o pote de ouro no fim do arco-íris. Por isso, é muito interessante porque agora dou prioridade aos meus netos. Por isso, mesmo que, por vezes, haja uma reunião ou uma agenda ocupada e os meus netos precisarem que eu esteja lá, então remarco a reunião. Portanto, há formas de contornar isso, de modo a dedicar tempo às pessoas que amamos. E, ao mesmo tempo, conseguimos continuar a cumprir os nossos compromissos profissionais.
Aliás, é curioso porque eu até acho que me senti mais realizada profissionalmente depois de ser mãe, do que antes. Sempre quis ser mãe, por isso, isso trouxe-me uma realização diferente. Mas sim, quer dizer, temos mais responsabilidades. Agora temos alguém de quem precisamos de cuidar, que precisamos de apoiar, que precisamos obviamente de orientar. E, por isso, sim, mudou a forma como olhamos para a vida.

 

 

O que lhe falta fazer

Por falar em realização pessoal… o que lhe falta fazer nesta vida?
Sabe que mais? É uma pergunta muito boa. Acho que sinto que já realizei praticamente tudo o que queria realizar. É óbvio que, a dada altura, tenho de me reformar ou gostaria de me reformar. Não sei bem quando é que isso vai acontecer. Assim que isso acontecer, poderei provavelmente, dedicar mais tempo às coisas que realmente gosto de fazer, como jogar golfe ou esquiar ou passar mais tempo com os netos. Sou muito de “outdoors”, adoro o ar livre. Estar ao ar livre para mim dá-me energia e, por isso, acho que é principalmente o ar livre que me atrai no golfe, mas também o jogo em si. Gosto do jogo.

 

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