Neemias Queta: uma vontade excecional
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Neemias Queta: uma vontade excecional

REVISTA AMAR - Neemias Queta - BASQUETEBOL - NBA
Créditos © Direitos Reservados

 

Neemias Esdras Barbosa Queta

Cargo: basquetebolista
Nascimento: 13/07/1999 (22 anos)
Nacionalidade: Portuguesa (Lisboa)


Nasceu em Lisboa e cresceu na margem sul do Tejo. Fez o primeiro treino de chinelos e com dez anos chegou às camadas jovens do Barreirense. Com 18 ao Benfica. Depois foi à procura do mais assombroso basquetebol do Planeta. Acaba de o encontrar.

Em 2017, miúdo magricela de dois metros e 13 centímetros de altura, criado no Vale da Amoreira, bairro desfavorecido da margem sul do Tejo e formado na escola do Barreirense, chega ao Benfica, acompanhado da mãe. O clube grande reparara nele e está interessado em contratá-lo. Ficaria a viver numa residência, com outros atletas, e teria explicações, de forma a não comprometer a escolaridade. A mãe, temendo os perigos da capital, pede que lhe cuidem bem do menino. E é o menino quem, mediante o passo gigante que está prestes a dar, sela o acordo com um pedido: “Tenho aqui um problema com um dente. Gostava que me ajudassem”.

A inocência do rapaz está até hoje na memória de Diogo Carreira, ex-internacional e capitão do Benfica, que ocupava, na altura, as funções de team manager. “O Benfica representava uma mudança muito grande para um miúdo criado num bairro problemático, mas ele não pensou em contratos, não pensou em números, e isso impressionou-me.” Carreira, também formado no Barreirense, recorda um jogador “muito humilde, muito grande, de uma família modesta”, com origens na Guiné.

O primeiro português a ser escolhido num draft da NBA (pelos Sacramento Kings), porta de entrada para o milionário e mais assombroso basquetebol do Planeta, chega ao Benfica com 18 anos. Na estreia com a camisola sénior, logo prova que não se intimida. “Assumiu a picardia com um adversário e mostrou que estava preparado para aquela pressão” conta Carreira.

 

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Joga na equipa Carlos Andrade, ídolo do caloiro. “O Neemias era um rapaz extrovertido, que aliviava o stresse nos balneários com tiradas muito engraçadas.”Contava anedotas e, sobretudo, imitava memes que circulavam nas redes sociais. Ficam amigos, mais do que amigos: “Trato a mãe dele por tia, sinto-me seu sobrinho e não há semana que não falemos duas ou três vezes. Ele chama-me cota e eu chamo-lhe feio”. Ri. Carlos, o conselheiro, acompanha o processo que leva Neemias ao caminho de um sonho iniciado nos Utah State, a equipa da universidade em que estudou Jornalismo.

Miguel Minhava, outro ex-capitão do Benfica e outro talento despertado no Barreirense, garante: “A certa altura da sua carreira, só mesmo Neemias terá acreditado que podia chegar à NBA”. O poste, diz Minhava, “não dá nunca a bola por perdida, vai a todas. A abnegação e a vontade jogam muito a favor dele. É um inconformado, não se deixa estar quieto. Não tem um talento do outro mundo, mas tem uma vontade excecional”. Carlos Andrade assegura que o atleta é realista. “Está preparado para o que vier. Quero, queremos, acreditar que vai ficar. Mas se não ficar, sabe que terá abertas as portas dos grandes clubes europeus, de onde pode sempre ir tentando o regresso à NBA.” Será esse o objetivo dos próximos quatro anos, caso a Summer League que agora vai disputar (adiou a estreia devido a uma pequena lesão) corra mal. O que não é previsível. Porque, diz Carreira, “é bom no ressalto, nos desarmes de lançamento e ofensivamente, pelo conhecimento que tem do jogo, passa bem e finaliza bem perto do cesto”.

Na camisa que vestiu para o draft da NBA, gravou as iniciais da avó, da mãe, do pai. E as do bairro onde cresceu, com o respetivo código postal. Tinha dez anos quando treinou pela primeira vez. Treinou de chinelos de dedo e mesmo assim encantou. Com e sem bola: “É muito simpático. Nada o impede de sorrir. Nem quando perdia o dente deixava de abrir um sorriso”, realça o amigo Carlos Andrade.

Alexandra Tavares-Teles

NM

 

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