A histórica Estrada Nacional 2 (EN2)
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A histórica Estrada Nacional 2 (EN2)

Revista amar - portugal - Estrada Nacional 2
Créditos: Manuela Marujo

 

Após a construção de autoestradas por todo o Portugal, que permitem acesso veloz e melhor comunicação entre as grandes localidades, é natural que a maior parte das pessoas prefira esse modo de viajar cómodo e rápido. Nos últimos anos, porém, muito se tem mencionado a antiga EN2 e os percursos singulares por aldeias e vilarejos, que estavam a ficar esquecidos no mapa de Portugal.

A EN2 existe desde 1945 e atravessa o país de norte a sul, constituindo uma espécie de “espinha dorsal” de Portugal e, se a seguirmos até à reta final em Faro, teremos feito cerca de 738 km.

Com entusiasmo, aceitei o desafio de um grupo de amigos, antigos colegas do Liceu de Beja, para passarmos cinco dias a conhecer uma parte da EN2 começando no quilómetro zero, na cidade de Chaves, localizada no extremo norte de Portugal.

Iniciámos a visita no posto de turismo da cidade, onde nos foi sugerido adquirir um passaporte e um guia da EN2; neste último, estavam assinalados os lugares onde poderíamos carimbar o passaporte ao longo do caminho, como lembrança da viagem. A iniciativa foi abraçada pelas câmaras municipais, hotéis, museus e outros lugares de interesse; o guia inclui, igualmente, nomes de restaurantes onde se servem pratos regionais, sendo o objetivo ficar a conhecer, de modo mais completo, os locais de passagem da estrada.

O “ex-libris” de Chaves, isto é, a imagem que a identifica em folhetos e postais turísticos, é a Ponte Romana de Trajano sobre o Rio Tâmega. Muito bem conservada, com 16 arcos e 150m de comprimento, foi classificada Monumento Nacional em 1910. A ocupação dos romanos nesta zona denominada Aquae Flavia, elevada à categoria de município no ano 79 da era cristã, deveu-se à existência de minas de ouro, à fertilidade da terra e à descoberta de águas termais.

Caminhar devagar ao longo das margens, a horas diferentes do dia, permite-nos admirar os reflexos projetados nas águas límpidas de árvores frondosas, casas senhoriais ou da própria ponte. A visão e o sentimento são de deslumbre!

 

 

Recuamos no tempo ao percorrer a zona antiga da cidade, subindo até ao Forte de São Francisco, construção do século XVII (hoje uma pousada de luxo), e depois à Torre de Menagem do castelo. Este terá sido mandado construir pelo Rei Dom Diniz, que reinou de 1279-1325, e foi doado posteriormente a D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável. Ao passarmos pelo Paço dos Duques da ilustre Casa de Bragança, ficamos a saber que o mesmo castelo foi oferecido a Dona Beatriz, filha do Condestável, casada com Dom Afonso, o Primeiro Duque de Bragança, que viveram num palacete anexo ao castelo. As ruas estreitas empedradas dentro das antigas muralhas permitem-nos admirar edifícios coloridos com graciosas varandas.

O centro da cidade de Chaves, no largo da Câmara Municipal, é animado com a presença de jovens e avós com crianças – estas saltando e brincando junto de fontes refrescantes. Numa das pastelarias é irresistível provar as especialidades: o pastel ou o folar de carne.

O Centro Cultural e Artístico Nadir Afonso, sito num edifício ultramoderno do arquiteto Siza Vieira, transporta-nos para as obras desse pintor de renome internacional, que viveu entre 1920-2013, e projetou, mundialmente, o nome de Portugal.

Visitada a cidade e carimbado o “passaporte” no Km 0, convivemos a saborear comida regional, enquanto divertidos, recordávamos peripécias de estudantes de há mais de 50 anos. Na manhã seguinte, após uma noite de descanso num hotel de Chaves, o nosso grupo de dez amigos iniciou a aventura em direção ao sul.

Manuela Marujo

 

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